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Dia de Burquina Fasso • 5 de Agosto de 1960 • Independência

O Burquina Fasso é um país do Sael africano, sem litoral, que faz fronteira com seis nações. Estende-se entre o deserto do Saara e o golfo da Guiné, a sul da curva do rio Níger. O terreno é verde no sul, com florestas e árvores de fruto, e desértico no norte. Tal como toda a África ocidental, Burquina Fasso é povoado desde 12 000 a.C.

História

Tal como toda a África ocidental, o Burquina Fasso foi povoado em tempos remotos, com destaque para os caçadores-coletores da parte noroeste do país (12 000 a 5 000 a.C.), cujas ferramentas (raspadeiras, cinzéis e pontas de seta) foram descobertos em 1973. Entre 3 600 e 2 600 a.C. surgiram povoamentos de agricultores, e os vestígios dessas estruturas deixam a impressão de edifícios relativamente permanentes. O uso do ferro, cerâmica e pedra polida desenvolveu-se entre 1 500 e 1 000 a.C., tal como a preocupação com os assuntos espirituais, como é demonstrado pelos restos de enterramento que têm sido descobertos.

Ver artigo principal: História de Burquina Fasso

 

Geografia

O Burquina Fasso é um país do Sael, sem litoral, que faz fronteira com seis nações. Estende-se entre o deserto do Saara e o golfo da Guiné, a sul da curva do rio Níger. O terreno é verde no sul, com florestas e árvores de fruto, e desértico no norte. A maior parte do Burquina Fasso central fica num planalto baixo, coberto por savana, a uma altitude de 200–300 metros, com campo aberto, bosques e árvores isoladas. As reservas de caça do Burquina Fasso — as mais importantes das quais são as de Arly, Nazinga, e do Parque Nacional W — contém leões, elefantes, hipopótamos, macacos, facocheros e antílopes. O turismo não está bem desenvolvido.

O total de precipitação anual varia entre 100 centímetros no sul e menos de 25 centímetros no norte e nordeste, onde os ventos quentes do deserto acentuam a secura da região. O Burquina Fasso tem três estações diferentes: morna e seca (de novembro a março), quente e seca (de março a maio) e quente e úmida (de junho a outubro). Os rios não são navegáveis.

Demografia

Ver também: Religião de Burquina Fasso e Igreja Católica em Burquina Fasso

A população de Burquina Fasso, em 2018, era de mais de 20 milhões de habitantes, pertencentes a dois grandes grupos étnicos-culturais do Oeste Africano: Gur e Mandês (cuja linguagem comum é diúla). Os Gur-Mossis compõem cerca de metade da população. Os Gur-Mossis migraram para a atual Burquina Fasso a partir de Gana, em 1100. Eles estabeleceram um império que durou mais de 800 anos. Predominantemente agricultores, o reino Mossi é liderado pelo Mogho Naba, cujo tribunal é em Uagadugu.[15]

Burquina Fasso é um Estado etnicamente integrado e secular. A maioria do povo de Burquina Fasso está concentrada no sul e centro do país, onde a sua densidade, por vezes, ultrapassa 48 hab ./km2. Centenas de milhares de burquinabês migram regularmente para a Costa do Marfim e Gana, muitos para o trabalho agrícola sazonal. Estes fluxos de trabalhadores são afetados por eventos externos, como a tentativa de golpe em setembro de 2002, na Costa do Marfim, e a luta que se seguiu fez com que centenas de milhares de burquinabês retornassem ao Burquina Fasso.[15]

A taxa de fecundidade total de Burquina Fasso é de 5,93 filhos por mulher, de acordo com estimativas de 2014, a sexta maior taxa do mundo.[16]

A prática da escravidão no Burquina Fasso é muito comum.[17]

Línguas

Burquina Fasso é um país multilíngue. A língua oficial é o francês, introduzido durante o período colonial. O francês é a principal língua das instituições administrativas, políticas e judiciais, dos serviços públicos e da imprensa. É a única língua usada para leis, administração e tribunais. Ao todo, estima-se que 69 línguas são faladas no país,[18] das quais cerca de 60 línguas são autóctones. A língua mossi é a língua mais falada em Burquina Fasso, falada por cerca de metade da população, principalmente na região central em torno da capital, Uagadugu, juntamente com outras línguas gurunsi estreitamente relacionadas espalhadas por toda Burquina Fasso.

Política

A constituição do Burquina Fasso de 2 de junho de 1991 estabeleceu um governo semi-presidencial com um parlamento (assembleia) que pode ser dissolvido pelo Presidente da República, que é eleito para mandatos de cinco anos. Este prazo foi estabelecido numa revisão da constituição levada a cabo em 2000, que reduziu a duração do mandato que anteriormente era de sete anos, o que só será posto em prática em 2005 aquando das eleições presidenciais seguintes. Outra mudança aprovada na revisão impediria o atual presidente, Blaise Compaoré, de ser reeleito. No entanto, uma vez que Compaoré foi eleito em 1998, não está claro se a revisão será aplicada retroativamente ou não.

O parlamento consiste de duas câmaras: a câmara baixa (l’Assembléia Nacional) e a câmara alta (la Chambre dos Representantes). Também existe uma câmara constitucional, composta por dez membros, e um conselho económico e social cujos papéis são principalmente consultivos.

Economia

Ver artigo principal: Economia de Burquina Fasso

Burquina Fasso tem um dos menores PIB em valores per capita no mundo: US$ 1 500 dólares.[19] A agricultura representa 32% do seu Produto interno bruto e é a ocupação de cerca de 80% da população economicamente ativa. Ela consiste principalmente da criação de gado. Especialmente no sul e sudoeste, as pessoas realizam plantios de sorgo, milheto, milho, amendoim, arroz e algodão, com excedentes para serem vendidos. Uma grande parte da atividade econômica do país é financiada pela ajuda internacional.

Burquina Fasso foi classificado como o 111.º destino de investimentos mais seguro do mundo, em março de 2011, pelo ranking do Euromoney Country Risk.[20] As remessas costumavam ser uma importante fonte de renda para Burquina Fasso até os anos 1990, quando a agitação na Costa do Marfim, o principal destino dos emigrantes burquinabês, forçou muitos a voltar para casa. As remessas representam hoje menos de 1% do PIB.

O país faz parte da União Monetária e Econômica do Oeste Africano (UMEOA) e adotou o Franco CFA. Esta moeda é emitida pelo Banco Central dos Estados Oeste Africano (BCEAO), situado em Dacar, no Senegal. O BCEAO administra a política monetária e reserva dos Estados membros, é uma regulação e supervisão do setor financeiro e da atividade bancária. Um quadro jurídico em matéria de licenciamento, as atividades bancárias, os requisitos organizacionais e de capitais, inspeções e sanções (todos aplicáveis a todos os países da União) está no local, tendo sido reformada significativamente em 1999. As instituições de micro-financiamento são regidas por uma lei específica, que regulamenta as atividades de micro-finanças em todos os países da UEMOA. O setor de seguros é regulamentado através da Conferência Inter-Africana dos Mercados de Seguros (CIMA).[21]

No setor primário, são praticadas a exploração da mineração de cobre, ferro, manganês, ouro, cassiterita (minério de estanho) e fosfatos.[22] Estas operações proporcionam emprego e geram ajuda internacional. Em alguns casos, os hospitais mantidos pelas empresas de mineração estão disponíveis para uso pelas populações locais. A produção de ouro aumentou 32% em 2011, em seis minas de ouro, tornando Burquina Fasso o quarto maior produtor de ouro na África, depois da África do Sul, Mali e Gana.[23]

Burquina Fasso acolhe também a Feira Internacional de Arte e Artesanato, em Uagadugu. Ela é mais conhecido por seu nome francês, Le Salon International de l’ Artisanat de Ouagadougou, e é uma das mais importantes feiras de artesanato no continente. O país está entre os membros da Organização para a Harmonização em África do Direito dos Negócios (OHADA).[24]

Embora os serviços permaneçam subdesenvolvidos, o Instituto Nacional de Água e Saneamento (ONEA), uma empresa de serviços públicos estatais, está a emergir como uma das empresas de serviços públicos com melhor desempenho na África. Altos níveis de autonomia e uma gestão qualificada e dedicada tem impulsionado a capacidade de ONEA em melhorar a produção e o acesso à água potável. Desde 2000, cerca de 2 milhões tinham acesso à água nos quatro principais centros urbanos do país. A empresa tem mantido a qualidade da infraestrutura de alta (menos de 18% da água é perdida através de vazamentos — um dos mais baixos da África subsaariana), melhorou os relatórios financeiros, e aumentou sua receita anual em média de 12% (bem acima da inflação). Os desafios permanecem, incluindo as dificuldades entre alguns clientes em pagar por serviços, com a necessidade de recorrer a ajuda internacional para expandir sua infraestrutura. Empreendimento comerciais estatais tem ajudado o país a atingir o seu Objetivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM) em áreas relacionadas com a água, e tem crescido como uma empresa viável.[25]

Infraestrutura

Transportes

O transporte em Burquina Fasso é dificultado por uma infraestrutura muito pouco desenvolvida. O aeroporto principal é o de Uagadugu e em junho de 2014, havia regularmente voos regulares para vários destinos na África Ocidental, bem como Paris, Bruxelas e Istambul. Há também um outro aeroporto internacional em Bobo-Diulasso, com voos para Uagadugu e Abidjã. O transporte ferroviário em Burquina Fasso consiste em uma única linha que vai de Kaya para Abidjan, na Costa do Marfim, via Uagadugu, Koudougou, Bobo-Diulasso e Banfora. A Sitarail opera um trem de passageiros três vezes por semana ao longo do percurso.[26] Há um total de 12 506 quilômetros de rodovias em Burquina Fasso, dos quais 2 000 quilômetros são pavimentados.

Educação

A educação em Burquina Fasso é dividida em ensino primário, secundário e superior.[27] No entanto, os custos do ensino médio são de aproximadamente 25 mil CFA (US$ 50) por ano, o que é muito acima das possibilidades financeiras da maioria das famílias burquinesas. Meninos recebem preferência na escolaridade e, como tal, as taxas de educação e alfabetização de meninas são muito mais baixas do que os meninos. Foi observado um aumento na escolaridade das meninas por causa da política do governo de tornar a escola mais barata para as meninas e conceder-lhes mais bolsas de estudo. Exames nacionais de conhecimento são realizados com a finalidade de aprovar um estudante do ensino básico ao ensino médio, e do ensino médio para a faculdade. Esses exames são utilizados como pré-requisito para aceitação em todas as instituições de ensino superior do país, incluindo a Universidade de Uagadugu, o Instituto Politécnico de Bobo Diulasso e a Universidade de Koudougou. Há faculdades particulares na capital, Uagadugu, mas estas são acessíveis apenas por uma pequena parcela da população.

Há também a Escola Internacional de Uagadugu, uma escola particular americana localizada na base militar em Uagadugu.

O relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas classifica Burquina Fasso como o país com o menor nível de alfabetização no mundo, apesar de um esforço concentrado para dobrar sua taxa de alfabetização de 12,8% em 1990 para 25,3% em 2008.[28]

Saúde

A saúde se concentra em serviços de atendimento primário e sem vacinação.

Referências

  1. Kone, Aame (2010). “Politics of Language: The Struggle for Power in Schools in Mali and Burkina Faso“. International Education. 39 (2): 7. Retrieved 24 October 2016.
  2. www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ uv.html arquivo CIA World Factbook de 2016
  3. «Human Development Report 2019» (PDF) (em inglês). Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Consultado em 17 de dezembro de 2020
  4. Instituto Internacional da Língua Portuguesa. «Burquina Fasso». Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de maio de 2017
  5. Serviço das Publicações da União Europeia. «Anexo A5: Lista dos Estados, territórios e moedas». Código de Redacção Interinstitucional. Consultado em 16 de junho de 2020
  6. Correia, Paulo (Verão de 2018). «Bassutolândia, Bechuanalândia e Suazilândia» (PDF). a folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. N.º 57. pp. 17–20. Consultado em 26 de setembro de 2018
  7. Correia, Paulo (Outono de 2019). «Um década de nova toponímia» (PDF). a folha – Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. N.º 61. pp. 7–13. Consultado em 17 de janeiro de 2020
  8. Portal da Língua Portuguesa — Dicionário de Gentílicos e Topónimos
  9. «burquinês». Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Infopédia. Consultado em 19 de abril de 2021
  10. «burquinense». Dicionário Caldas Aulete da Língua Portuguesa. aulete.uol.com.br. Consultado em 16 de janeiro de 2016
  11. «burquinense». Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Infopédia. Consultado em 16 de janeiro de 2016
  12. Du Burkina Faso et des Burkinabè : Nous sommes burkinaBÈ, pas burkinaBÉ ni burkinais, ni burkinabaises, ni burkina-fassiens. Por Louis Dominique Ouédraogo. lefaso.net, 5 de agosto de 2020.
  13. Infopédia: ‘burquinabê’
  14. Dicionário Houaiss: burquinense
  15. a b «U.S. Relations With Burkina Faso» (em inglês). Departamento de Estado dos Estados Unidos. Consultado em 25 de setembro de 2014
  16. «Africa: Burkina Faso» (em inglês). CIA – The World Factbook. Consultado em 25 de setembro de 2014
  17. «West Africa slavery still widespread» (em inglês). BBC News. Consultado em 25 de setembro de 2014
  18. Lewis, M. Paul (ed.), 2009. Ethnologue: Languages of the World, 16th edition. Dallas, Tex.: SIL International. (Page on “Languages of Burkina Faso.”)
  19. «Country Comparison: GDP -Per Capita (PPP)» (em inglês). CIA – The World Factbook. 2014. Consultado em 25 de setembro de 2014
  20. «Euromoney Country Risk» (em inglês). Euro money country risk. 2014. Consultado em 25 de setembro de 2014
  21. «Burkina Faso: Financial Sector Profile» (em inglês). MFW4A. Consultado em 26 de setembro de 2014
  22. «Profile – Burkina Faso» (em inglês). Inadev. Consultado em 26 de setembro de 2014
  23. «www.theglobeandmail.com/globe-investor/iamgolds-growing- investment-in-burkina-faso/article4103071/» (em inglês). The globe and mail. 15 de abril de 2012. Consultado em 26 de setembro de 2014
  24. «www.theglobeandmail.com/globe-investor/iamgolds-growing- investment-in-burkina-faso/article4103071/» (em inglês). Introducing Ohada. Consultado em 25 de setembro de 2014
  25. «Burkina Faso» (em inglês). Consultado em 25 de setembro de 2014. Arquivado do original em 26 de maio de 2012
  26. European Rail Timetable, Summer 2014 Edition
  27. «Burkina Faso – Education» (em inglês). Nations Encyclopedia. Consultado em 25 de setembro de 2014
  28. «Human Development Report 2007/2008» (PDF) (em inglês). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. 2007. Consultado em 25 de setembro de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 29 de abril de 2011

PAUL SAMPAIO CHEDIAK ALVES é professor, locutor, apresentador de rádio e TV, web designer e o criador da REDE SAMPAIO de Sites.

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